O término
- Me recuso a dar o braço a torcer. Me recuso a sentir o que eu não quero. Recuso o sentimento que se sobressai à razão.
Não sei porque o ser humano é assim. Cada um deveria vir com uma etiqueta escrito
De: _______ Pa
Me recuso a relembrar, me recuso a não esquecer.
Renuncio ao cargo de amar
Renuncio ao erro
Renuncio ao sentimentalismo e ao romantismo!!
Ahhhhhhh!
Foi o desabafo e a proclamação da liberdade de Beatriz, que degustara cada palavra dita. Respirou fundo e sentou-se no chão, ofegante, mas quase calma. Estava linda, realizada, havia posto para fora anos de silêncio.
Paulo estava atônito, não sabia o que dizer. Sentou-se no sofá em silêncio por um instante, e disse:
- É isso mesmo querida? Depois de tantos anos.
- É Paulo. É isso mesmo, meu querido.
- Mas o que houve? O que eu fiz?
- Você não fez nada. Eu que fiz. Errei com nosso amor.
- O QUE VOCÊ FEZ BEATRIZ?
- Te amei demais.
- Ufa!
- Te amei mais que meu amor próprio. Cansei de te amar muito, meu coração chegou a gastar de tanto amor.
- Beatriz!!
- Não adianta Paulo. Terei que te esquecer, terei que descer das nuvens e pisar na vida real, sair do sonho. Nosso excesso de cumplicidade me sufocou, nosso excesso de alegria me isolou. Não pense mal de mim, você morará eternamente em meu coração, mas terei que seguir adiante sem você.
- Oh querida, e o que faço sem você?
- Viva sua vida, seja feliz e conquiste novos amores, uma outra namorada.
Beatriz deixou-o na sala e foi para sua casa.
Betão a esperava na saída.
- E aí, Bê? Conseguiu dessa vez?
- Consegui. Explodi, falei tudo. Aliás, falei a cena todinha de um filme que vimos ontem. Coitado, deixei-o lá sozinho, estarrecido.
- Coitado nada. É a quinta vez que você tenta terminar e eu fico aqui, só te esperando.
Beatriz deu-lhe um beijo e seguiram pelo caminho de mãos dadas.
Paulo:
- Nem acredito! Nem precisei falar nada. Nunca pensei que seria tão fácil terminar. Só falei que precisávamos ter uma conversa inadiável e ela começou tudo aquilo. Estou pasmo. Tenho que falar com a Lurdinha.
- Alô.
- Lurdinha, é o Paulo
- Oi
- Quer sair comigo? Agora estou solteiro.
- Onde?
- Cachorro quente do seu Juca.
- Que horas?
- Daqui uma hora.
- Marcado.
- Nem acredito! Você aceitou meu convite desta vez!
- Você está solteiro.
- É.
- Tchau, nos vemos lá.
- Tchau.
Paulo desligou o telefone com uma sensação de que já ouvira todo aquele discurso de Beatriz em algum lugar. Sorriu e foi se arrumar para o encontro.
cronista: Késia Câmara





