CRÔNICAS NOVAS TODA SEXTA-FEIRA. CONFIRA!

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

NÃO QUERO

NÃO QUERO

 

- Como podem perder o brilho no sorriso? A doçura do falar, a esperança infantil, a fé na vida, no amor, a crença na família. Desacreditar no que é bom, nas coisas bonitas.

Poxa, mamãe, se for assim eu não quero crescer. Não quero viver na correria, não quero parar de perceber como o céu esta azul. Não quero deixar de ver o pôr do sol, não quero parar de rir a toa e ficar nervoso com qualquer coisa.

Não quero sair para trabalhar antes de amanhecer e chegar ao anoitecer, não quero ficar longe do papai, da mamãe e dos meus amiguinhos.

Não quero desacreditar na beleza da amizade, não quero crer na desconfiança, não quero inimizade.

Não quero responsabilidades que me prendam. Não quero perder a paciência, o fino trato e o bom humor.

Só quero correr livre pela vida, sorrir pelos caminhos a fora, poder ouvir um passarinho, ver um casal de velhinhos no parque. Quero gostar de ouvir e ver coisas que poucos percebem, coisas que gente grande larga de lado.

Mamãe, porque que gente grande é tão desapercebida?

Heim?

Por que eles se esquecem das coisas? Quando eu crescer não quero ser gente grande. Não quero esquecer de ter tempo pra brincar, de sair passeando sem rumo, só para ver as árvores ou qualquer coisa.

Não quero esquecer de respirar fundo quando as coisas apertarem, nem de ficar quietinho quando estiver nervoso. Não quero deixar de lembrar que somos todos iguais e que ninguém tem o direito de humilhar alguém.

Ah, mamãe, não quero crescer. Não quero perder seu colo, seu comando, nem ficar longe do seu cheirinho.

Não quero. Não quero querer nada. Gente grande quer tanta coisa que acaba querendo só o que é difícil e deixa o que é fácil de lado.

É fácil sorrir, é fácil fazer um carinho, um abraço. Como é facinho fazer alguém se sentir importante.

Pronto, já me decidi: Quero ser criança pra sempre.

Boa noite mamãe, te amo. Apaga a luz pra mim, boa noite.




Cronista: Késia Câmara

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O término

 O término

 

 

-          Me recuso a dar o braço a torcer. Me recuso a sentir o que eu não quero. Recuso o sentimento que se sobressai à razão.

Não sei porque o ser humano é assim. Cada um deveria vir com uma etiqueta escrito

De: _______     Para:______

Me recuso a relembrar, me recuso a não esquecer.

Renuncio ao cargo de amar

Renuncio ao erro

Renuncio ao sentimentalismo e ao romantismo!!

Ahhhhhhh!

 

Foi o desabafo e a proclamação da liberdade de Beatriz, que degustara cada palavra dita. Respirou fundo e sentou-se no chão, ofegante, mas  quase calma. Estava linda, realizada, havia posto para fora anos de silêncio.

Paulo estava atônito, não sabia o que dizer. Sentou-se no sofá em silêncio por um instante, e disse:

-          É isso mesmo querida? Depois de tantos anos.

-          É Paulo. É isso mesmo, meu querido.

-          Mas o que houve? O que eu fiz?

-          Você não fez nada. Eu que fiz. Errei com nosso amor.

-          O QUE VOCÊ FEZ BEATRIZ?

-          Te amei demais.

-          Ufa!

-          Te amei mais que meu amor próprio. Cansei de te amar muito, meu coração chegou a gastar de tanto amor.

-          Beatriz!!

-          Não adianta Paulo. Terei que te esquecer, terei que descer das nuvens e pisar na vida real, sair do sonho. Nosso excesso de cumplicidade me sufocou, nosso excesso de alegria me isolou. Não pense mal de mim, você morará eternamente em meu coração, mas terei que seguir adiante sem você.

-          Oh querida, e o que faço sem você?

-          Viva sua vida, seja feliz e conquiste novos amores, uma outra namorada.

 

Beatriz deixou-o na sala e foi para sua casa.

Betão a esperava na saída.

-          E aí, Bê? Conseguiu dessa vez?

-          Consegui. Explodi, falei tudo. Aliás, falei a cena todinha de um filme que vimos ontem. Coitado, deixei-o lá sozinho, estarrecido.

-          Coitado nada. É a quinta vez que você tenta terminar e eu fico aqui, só te esperando.

Beatriz deu-lhe um beijo e seguiram pelo caminho de mãos dadas.

 

 

 

 

Paulo:

-          Nem acredito! Nem precisei falar nada. Nunca pensei que seria tão fácil terminar. Só falei que precisávamos ter uma conversa inadiável e ela começou tudo aquilo. Estou pasmo. Tenho que falar com a Lurdinha.

 

-          Alô.

-          Lurdinha, é o Paulo 

-          Oi 

-          Quer sair comigo? Agora estou solteiro. 

-          Onde? 

-          Cachorro quente do seu Juca. 

-          Que horas? 

-          Daqui uma hora. 

-          Marcado. 

-          Nem acredito! Você aceitou meu convite desta vez! 

-          Você está solteiro. 

-          É. 

-          Tchau, nos vemos lá. 

-          Tchau.

 

Paulo desligou o telefone com uma sensação de que já ouvira todo aquele discurso de Beatriz em algum lugar. Sorriu e foi se arrumar para o encontro.

 

 

cronista: Késia Câmara

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Educação ou má-educação



Educação ou má-educação

 

Coisa curiosa é o tal do escritor. Gosta de se arriscar nos vários estilos de escrever. Frederico é um exemplo, não sabia como iria escrever um texto. Tinha as palavras, mas não sabia se iria dissertar, narrar, cronicar, contar, poemizar, jornalizar...até mesmo “sloganizar”.

Tinha prazo de entrega. Pegou lápis, papel  e saiu disparando os textos nos modos variados.

Dissertação:

Hoje em dia, muitos têm sido os problemas em nosso Brasil. O principal e mais enraizado é a educação, jogada às traças, sem nenhum investimento, às margens de imensas arrecadações tributárias. Um grande erro deste governo foi ignorar a educação – ou má educação, se assim podemos dizer – do nosso país.


Crônica:

No interior de Minas conheci um garotinho, Tonho. Ele sonhava com a escola que ele tanto ouviu falar que seria construída.

- Mamãe, quando vou ir para a escola?

- Não sei, filhinho.

- Eu quero ficar inteligente para um dia virar político. Quero construir um monte de escolas para nossa cidade.

- Tonhinho, se você quiser estudar para melhorar o país, estude. Mas se quiser virar político para construir escolas, esqueça. Político não faz, só promete.

- Mas mamãe, aquele candidato nos prometeu a escolinha.

- Prometeu filhinho, apenas prometeu. 

 

Poema:

Educação é primordial

Mas falta o principal

O apoio do governo

Que nos deixou ao ermo

Em mundo de ilusões

Falando apenas de embromações 

 

 

Slogan

REFORMA EDUCACIONAL JÁ! 

 

Jornal (sensacionalista)

Tenho visto a precariedade do nosso sistema educacional. Fico indignado ao ver crianças jogadas às mazelas da vida, sem instrução, sem educação. Isso é um absurdo! Não pode, não dá! Põe na tela, põe na tela, a cena desse menor vendendo bala no semáforo ao invés de ir para a aula. Isso é um absurdo! Até onde iremos chegar?! Isso é uma vergonha.

 

Conto

Conta-se uma história de um povo muito rico e muito pobre. Rico em recursos, potencial, cultura. Um povo alegre, festeiro, mas pobre de governo, política, educação. Esse povo bonito sabia que precisava de uma educação melhor, mas eles não se entendiam muito bem com os governadores.

Um dia todos se reuniram para conversar. Decidiram juntos investir na sociedade e na educação. Todas crianças cresceram nas escolas, na vida e viveram felizes para sempre.

(história fictícia, claro).

 

Por fim, Frederico, nosso escritor, olhou para os textos, leu, releu, leu de novo.

Deu um sorrisinho frustrado, amassou o papel e jogou fora. Lembrara que a redação, a quem enviaria o escrito, era ligada ao governo.

Pegou novamente um papel e escreveu uma historinha qualquer. E segue a vida, tentando se desviar dos erros daqueles que mandam e desmandam.

 

 

Késia Câmara





sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cavalheiros




CAVALHEIROS

Espécime raro, quase em extinção.

Não é porque a mulher ficou mais independente que não ganhará mais os “mimos” dos homens.

Poucos sabem que o homem anda na parte de fora da calçada, perto da rua, para proteger a mulher.

No primeiro encontro, por mais que a mulher insista em rachar a conta, o homem tem que pagar. Lei do cavalheirismo.

Dê preferência  às mulheres em fila, elevador, assentos, ônibus.

O sujeito ganha mil pontos quando faz isso.

Um sincero cavalheiro.

Mas tudo com bom senso e bem dosado para não deixar as mulheres muito mal-acostumadas (ou bem acostumadas - não sei).

Conheço um caso de excesso.

O sujeito também não era muito certo da cabeça, ele era medido aos extremos. Tertuliano não era um bom exemplo de gentileza. Era rude e grosso como uma porteira. Sua namorada Tavinha sofria, coitada.

             - Anda “mulé”, se não consegue correr de salto alto, vem descalço, sua lesma!

            - Querido, me espere. Segure minha mão pra eu não cair.

- Ô lerdeza, não vou te carregar não.  Nos encontramos lá na festa.

Ou

- Arrrurt! (arroto). Ê belezura, estou de pança cheia.

- Terminou de almoçar, benzinho? Chega pra lá intao, preciso sentar para almoçar também

-Vai lavar meu prato, depois que eu sair você senta.

 

Ele nunca a ajudava para nada, nem para pegar peso, a tratava mal à vezes na frente dos outros. Era um tremendo porta. Ela só não terminava porque achava que ainda tinha conserto.

E tinha!

Ela o obrigou a fazer um curso de “Etiqueta masculina e cavalheirismo”. Foi o melhor aluno da turma. Saiu de lá um doce. Mas doce demais enjoa.

Ele não deixava a mulher fazer mais nada. Carregava tudo, cuidava de tudo, lavava tudo. Virou um “pau-mandado”. Tudo o que ela pedia, ele logo fazia. 

A mulher foi embora. Terminou. Ela achou que perdeu a graça e não se sentia mais útil.

Coitado do Tertuliano. Entrou em crise! 

Tem que haver meio termo. Cortesia é sinal de pessoa civilizada e o cavalheirismo anda junto nessa.

Numa escada, por exemplo,  o homem tem que subir atrás da mulher , caso ela caia ele irá segurá-la. Na descida ele vai na frente para a mulher apoiar-se nele.

Seja sempre cortês e educado. A espécie está em extinção.

Homens,  meninos, rapazes e senhores, estou lançando uma campanha:

“Campanha de preservação:  Salvem os cavalheiros”

 

(Késia Câmara)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

CRONISTA SEM INSPIRAÇÃO

 

CRONISTA SEM INSPIRAÇÃO


Caro leitor, me rendo hoje à preguiça, à falta de inspiração e ao genuíno ato de procrastinar.

Escrever uma crônica é mostrar a vocês detalhes do dia-a-dia com uma visão que só o cronista tem, simples da vida. As simplicidades banais são as melhores histórias de nossas vidas, e poucos se dão conta dessa riqueza.

Mas voltando, hoje não há inspiração, caro leitor.

Sinto muito, mas pode parar de ler por aqui. Se continuar, não me responsabilizo por suas críticas.

Imaginem a dificuldade de um pintor sem tinta, de um professor sem aluno, de um cachorro seu um osso pra roer. Não há nada o que fazer com um cronista: mau-humorado, sem inspiração. Um escritor com papel, lápis e mil idéias na cabeça. Idéias   que não querem ir para o lápis. Que teimosas!

Sendo assim, por hora entreguei-me à sua teimosia e rendi-me à procrastinação.

Eu avisei lá em cima para não continuar lendo, você é outro teimoso.

Permita-me retificar: O cronista nunca perde a inspiração, uma vez que os textos são o retrato que nossos olhos fazem do mundo. Ocorre que as palavras agarram, o papel fica grande demais e o lápis pesado.

Acontece...

Qual engenheiro nunca errou um cálculo?

Qual mulher nunca borrou um batom?

Tal qual eu, cronista, sem saber o que escrever. 

Mas por fim das contas, sem querer você acabou lendo e lendo esse texto furado...e eu fui escrevendo, escrevendo e escrevendo...

Até que nasceu esse projeto de crônica. Culpa sua leitor teimoso, que nao parou de ler.



Autora: Késia Câmara

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

DESPEDIDA


DESPEDIDA

 

Despeço-me desta vida. Despeço-me dos dias de praia. Será que sentirão minha falta? Despeço-me das ondas. Adeus meu querido surf, como eu te amei.

A vida é muito curta.

Deitado em minha cama, numa linda tarde me despeço das longas e profundas sonecas. Sentirei sua falta. Aperto o travesseiro pela última vez. Adeus.

Despeço-me dos dias ensolarados de sorvete, tantos sabores, tanta vida. Como é difícil dizer adeus.

Despeço-me dos filmes, cinemas e futebol com os amigos de quinta-feira. Nunca se esquecerão de mim, grandes gols, grandes jogos!

Abraço apertado meus amigos nessa despedida. Terão que ser fortes. A vida é assim mesmo, as pessoas passam.

Despeço-me da sessão da tarde, vídeo show e vale a pena ver de novo (desses despeço-me apenas por educação).

Lembro-me como se fosse ontem. A turma reunida no parque jogando bola, paqueras, troca de olhares. Despeço-me (Não da paquera. Só do parque)

Despeço-me desse dia lindo e ensolarado, ou até mesmo chuvoso, lembrarei dos cantos de passarinhos em minha janela.

Abraço forte meus pais, confortando-os.

Digo isso para que sejam fortes, pois esse dia chega para todos nessa vida.

Deixo essa vida para entrar na história.

Há tempos tenho me preparado para esse fim.

Um grande abraço aos meus colegas do clube VASP (Vagabundo Sustentado pelo Pai). Despeço-me também.

Despeço-me da vida.

Da vida de ser só estudante.

Vou começar a trabalhar.



 Késia Câmara, 17 outubro 2008

domingo, 12 de outubro de 2008

ANIVERSÁRIO

Hoje é aniversário da autora das crônicas.
Que lindu!
Feliz aniversário pra mim.
Késia Câmara

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

QUARTO




QUARTO

 

-         Toda pessoa precisa ter seu espaço.

Grande, pequeno, arrumado, bagunçado, verde, rosa, azul...

O meu, particularmente, é bagunçado e rosa. Rosa por opção da minha irmã. Bagunçado por minha opção (embora nunca admitido).

Nós – desorganizados – somos mal compreendidos nessa sociedade pragmática, principalmente pelas mães.

Tentam nos impor paradigmas, reputando-nos ao erro, à incapacidade organizacional, como se fôssemos compostos somente pela balburdia, fomentada por nossas necessidades de encontrarmos nosso próprio eu! 

-         Mariazinha! 

-         A vida não é composta de gavetas organizadas, roupas dobradas, cama arrumada. A vida é mais que isso. É livre, é repleta de alegrias que nos afirmam com veemência a nossa necessidade de sermos como somos, pura e talentosamente desorganizados. 

-         Mariazinha! 

-         Essa sociedade rotulatória, nos julga incapazes apenas pelo fato de sermos diferentes. Quero minhas roupas e sapatos jogados, edredom no chão, dispostos conforme meu coração mandar. Mas não, isso propulciona  as chamadas “lideres maternais”, que nos obrigam a irmos contra nossos princípios de liberdade organizacional. 

-         MARIA!        

-         Protesto! Para mim basta! Sou autóctone de meu espaço, decorrente de minha criação, meu quarto, meu lugar! Em um ato peremptório de libertação, renuncio a esse universo caudatário, cuja finalidade precípua é instaurar-nos em um mundo sub-desenvolvido.

      -         Chega Mariazinha, CHEGA! 

-         Mas mãe, isso não é justo. Vou recorrer da sua decisão. 

-         Não é decisão, é uma ordem: VÁ JÁ ARRUMAR SEU QUARTO. 

-         Mas mãe... 

-         Mas nada. Chega de papo-furado 

-         (snif) Resta-me somente resignação a essa arbitrariedade malogra... 

-         Essa menina! Com que turma ela tem andado?


(Texto de Késia Câmara, desenho de André Mangabeira )



Momentinho Dicionário:  

Autóctone nativo

Caudatário – indivíduo servil

Fomentar – inscitar, estimular                         

Instaurar – estabelecer

Malogro  fracasso

Paradigma – modelo, padrão.

Peremptório – decisivo

Pragmático – direto, objetivo

Precípuo – principal

Reputar – considerar-se

Resignação – sofrer quieto

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

BANHEIRO

BANHEIROS

 

Tenho uma obsessão por banheiros.

Sou o tipo que não consegue passar em frente deles e não entrar.

É uma espécie de coleção, não sei, gosto de observá-los. Uma vez me perguntaram:

-         Marlene, você coleciona o que?

-         Banheiros.

Prefiro os mais espaçosos, com assentos macios. Testo todos.

Melhor lugar para ler um livro: Banheiro

 

Ao contrário do que muito gente pensa, banheiro é um ótimo lugar para se viver. É discreto, silencioso e limpo (quase sempre). É o espaço onde me sinto mais à vontade, não preciso manter a postura e murchar a barriga.

Posso contar vários causos de banheiro. Um dos melhores são os banheiros de faculdade. Um centro de início de fofoca, o banheiro feminino.

-         Minina, nem te conto!

-         Conte-me tudo, Ritinha!

-         Não tem o Betão do 8° período? Chamei ele pra sair!

Pronto, confusão armada. O Betão do 8º período tinha namorada. Eu.

 

Outra:

A mulher entra no banheiro – como se houvesse privacidade –  falando ao celular. Na verdade há, mas no silêncio)

-         Oi benzinho, como você esta? Será que alguém nos viu? É, eu também acho, ela vai acabar descobrindo. Também já estou com saudades. Não, de você, meu marido não me faz falta. Tenho que desligar, vou dar aula do 5º período agora. No 7º? Cuidado com a Ritinha viu! Eu também. Tchau.

Foi assim que descobri que minha professora de Matemática tinha um caso com o professor de Filosofia

 

Outra:

-         Você ficou sabendo?

-         Não, qual foi a notícia da Semana?

-         O Zecão. Invadiu a rádio da escola e se declarou pra Tuca.

-         Que bonito.

-         Bonito? Na mesma hora ela foi na rádio e disse que não queria nada com ele. Um fora fenomenal e público. Nunca mais o vi por esses corredores.

 

Mas como eu estava dizendo, todo mundo tem uma relação curiosa com os banheiros.

Quem nunca tirou um cochilo ou se escondeu de um chato no banheiro?

Na casa dos outros, por exemplo, sempre somos curiosos. Um banheiro novo, desconhecido. Uma zona livre, o metro quadrado só seu, para ver e fazer o que quiser.

Dizem que se conhece o dono da casa só pelo banheiro.

Certa vez fui à casa de uma grande e velho amigo – dentista – conhecer sua casa nova.

Papo vai, papo vem, senti que tinha alguma coisa que havida mudado nele.

Pedi licença e perguntei onde ficava o banheiro.

Na verdade eu só queria fazer uma investigação na vida do meu velho amigo. Algo mudara.

Entrei no banheiro e comecei a conferência:

Xampu anti-queda, creme dental, escova de dente...Opa! Cadê o fio dental? Logo ele – dentista – não usava?!

Toalhas, tapetes..tudo como ele sempre tinha. Havia somente duas coisas diferentes: Uma toalha rosa com florzinha e estava tudo organizado de mais.

Abri uma das gavetas: duas escovas de dente infantis – uma de elefantinho e outra de girafa – e uma feminina: Rosa.

Saí do banheiro surpresa, investigação concluída.

Acho que demorei muito. Meu amigo estava me esperando na porta do banheiro com aquele sorriso de “eu sei o que você estava aprontando”.

-         Vejo, minha querida, que não perdeu aquele velho hábito. Então, concluiu o que na investigação do meu banheiro.

Sorri, meio que totalmente sem graça, pega “com a boca na botija”.

-         Bom, Eeeh...

-         Fala Marlene, ainda te conheço.

-         Você tem se sentido velho e se preocupando ultimamente por causa desse início de calvície (Xampu anti-queda). Há uma mulher em sua vida e você a ama muito. Ela e os filhos têm vindo muito à sua casa, dormem sempre aqui (a escova de dente das crianças estava úmida ainda). Ela é uma mulher controladora (tudo organizado de mais. Ele odeia isso.) e vocês têm tido certos problemas, em função disso seu problema de estômago voltou (enxaguante bucal, contral mau-hálito).

-         (...)

Sorri de contentamento. Sabia que acertara na mosca. Anos de observações de banheiros, anos.


(Késia Câmara - 01/outubro) 

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"...A crônica situa-se entre o Jornalismo e a Literatura, e o cronista pode ser considerado o poeta dos acontecimentos do dia-a-dia..."

(Wikipedia)

O GAGO

O GAGO

 

A alegria do gago é ver um gago pior que ele.

Imaginem a cena: Dois gagos conversando sozinhos. É uma cena travada.

O gago geralmente é persistente, um bicho teimoso. As palavras agarram, agarram e agarram de novo e lá esta ele tentando fa-fa-fa-lar a frase inteira, mas com muito custo e suor – literalmente – conseguem chegar ao final.

Há variadas classes de gagueira.

O estágio mais complicado é o iniciante. Presenciei a cena em um restaurante da cidade.

A mãe servindo o prato do filho.

        Mã-mã-mãe, não que-queee-que-ro tanta saaa-la-la-da.

Quando ele terminou a frase, já estavam à mesa comendo. Comeu irritado.

Seguiu-se uma nova tentativa:

        Ma-mã-mãe, que-que-ro um B(...)

Meu deuso, a palavra não saia de jeito nenhum. Desistiu e tentou outra coisa, já bem irritado ( o que piora)>

        Maiêêêê (falou a todo pulmão, chegou a sorrir por não ter travado), que-que-que-ro um P(...).

Pronto! A palavra não iria sair.

Em seguida ele tentou bravamente falar da escola, dos amiguinhos. Também não deu.

O guri, já irritado, resolveu ficar calado, desistiu de falar. Iniciante.

Caridosamente, levantei e comprei um Bombom e um Picolé e entreguei a ele. 

Tem gago que é cara de pau, aqueles que fazem piadas de si mesmo.

Mas o que eu quero exaltar de fato são os gagos, raros, que sabem que gaguejar é uma arte, um desafio constante de criatividade. Aquele tipo que sabe a palavra que ira gaguejar, a situação é prevista e, se a pessoa for esperta, sempre acha um sinônimo na hora do aperto. Eu chamo de “gagueira-seletiva”.Ela é realmente seletiva.

Certa vez eu estava querendo saber o preço de um CD e o vendedor estava olhando para mim, a espera da pergunta. Para meu azar, minha gagueira selecionou não falar com o sujeito.

Fui obrigado a pedir para uma senhora perguntar o preço do bendito CD.Ele começou a rir...Triste isso, consegui explicar que não sou doido e saí sem o CD.

Certas palavras são impossíveis de dizer, como Alô!?

Uma situação fatídica: O gago-seleto precisa fazer uma ligação.

        (...) – Tentativa desesperada para dizer Alô.

        Alô?! Quem é?

        (...) – Ainda esta tentando dizer Alô.

        Você gostaria de falar com quem?

        (...) – Já desistiu do Alô, nessa altura já travou todas as palavras.

Tu-tu-tu-tu. Desligou o telefone na cara da pessoa, não por maldade, mas desistência. Tente entender o outro lado da linha – o lado gago.

Alguns minutos depois, tentou de novo, mas diferente dessa vez para não ter uma pedra no meio do caminho.

Tuuuuu-Tuuuuuu (telefone tocando). 

        Bom dia meu amor, como vai?  (fala de uma tacada só)

        Oi benzinho! Estou bem, mas acabaram de desligar o telefone na minha cara. Que falta de respeito. Fui tão educada.

        Não me diga?! Se eu soubesse quem foi, tiraria satisfação.

(É, o gago-seleto é cara de pau por conveniência).

Dizem que essas coisas têm cura, mas não passam de mero engodo da medicina, fonoaudiologia...Eu sei, já tentei, mas desistiram de mim. Caso perdido.

Então resolvi assumir esse charme como uma arte de desafio.

É respirar fundo e fa-fa-fa-lar.

 

  

Késia Câmara

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A VIDA É BELA - O segredo

A VIDA É BELA

- O SEGREDO -

 

As coisas da vida são simples, de uma bela essência, embora algumas circunstâncias a complique.

As pessoas deviam olhar para a vida com mais simplicidade e inocência – quase sempre perdida nos tempos de infância.

Tem gente que precisa de muito para ser feliz, enquanto não percebe que o pouco já basta, que o simples – as pequenas coisas e pequenos gestos – é que fazem a felicidade. Afinal, a vida de uma pessoa não é composta somente por grandes acontecimentos, e sim por aquelas pequenas porções de cotidiano, esse é o segredo para manter-se sempre de bom-humor e aproveitar melhor a vida.

Está estressado? Compre um potão de sorvete e coma tudo sem peso na consciência.

Está nervoso? Vá deitar na grama e olhar para o céu, aproveite para imaginar figuras com os formatos das nuvens, isso relaxa.

Não consegue sorrir? Ligue para seu amor e roube um sorriso dele(a) ou pegue emprestado.

Você deve estar pensando: “Ah, mas são coisas de criança!”.

Não vou te contrariar, mas observe: As crianças vivem correndo, sorrindo até para uma borboleta, quando ficam bravas esquecem rapidinho da briga, quando vêem algum sorvete ou uma bola ou qualquer coisa.

O detalhe é não perder a essência. Que venham as responsabilidades e os pesos da vida, mas guarde bem escondidinho aquela essência, o brilho nos olhos pelas simples situações que encontramos por aí.

Há também aqueles que desfrutam até a ultima gota do bom-humor, de peito aberto e, invariavelmente, ganham o palitinho premiado da vida. Esses tais percebem o Grande e o Inestimável na sutileza de um sorriso, ganham o dia ao ouvir a música preferida no rádio ou ao encontrar  inesperadamente  uma pessoa querida. Esses sim, fazem da essência um presente no constante uso.

Alguns podem pensar “Mas isso é se contentar com pouco”. Eis aí o segredo: não é contentar-se com qualquer coisa, é dar valor, apreciar, cultivar, então descobrimos o que é especial

Há também momentos de stress, raiva, correria...mas o bom-humor as descarregam da vida e tudo se segue.

Este é o segredo.

Achou simples? Então ponha-o em prática, porque quando eu pisar no seu pé, quero ver é um sorriso.


Késia Câmara

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

coisas de Kássia

Me desenharam de novo  


















Autoria dos desenho: Kássia Câmara (kassiacamara@gmail.com)

tirinha do Mangabeira

Que violência!
rs
Mas é duro dividir o pc com alguém...

Mais uma tirinha do http://blogdomangabeira.blogspot.com/

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

CABEÇA DE OVO


CABEÇA DE OVO

Eu, caro leitor, sempre fui um sujeito respeitado (é o que dizem). Chamam-me de Pereira, 48 anos, embora ainda jovial (é o que eu digo).
Um fato interessante na vida, é que eu sempre me esforcei para ser uma pessoa séria, respeitosa e, desastrosamente – no sentido literal – não consegui.
No colegial eu era estudioso, tinha um ar sério, usava óculos, mas eu não podia abrir a boca. Era incontrolável, uma força maior que eu, não tinha como evitar. Era só eu abrir a boca que saía alguma gracinha, alguma piada na ponta da língua. Na sala de aula, era uma festa quando eu ia apresentar algum trabalho e uma tristeza para a professora – tia Cotinha.

Acabei crescendo um sujeito calado, contido. Foi a forma que encontrei para ser respeitado, afinal se eu virasse um piadista, naquela época de repressão, eu seria expulso de casa, convidado a me retirar do país e morreria de fome.

Foi muito difícil sobreviver até hoje sob esse mando sério, sóbrio. Quando olho para alguém, a vontade de soltar alguma piada é tão desesperadora, que estou pensando em não sair mais de casa, para evitar acidentes. Com quase 50 anos, já devo ter armazenado até o limite os meus trocadilhos.
Não estou conseguindo mais me conter, depois de tantos anos. Minha esposa diz que não se casou com esse Pereira.
Anteontem eu estava apresentando um projeto – trabalho em uma imobiliária – e de repente entra um sujeito gordo, careca, com um nariz gozado.
Pensei:
- É o meu fim. Seja forte Pereira.
Respirei fundo e tentei não pensar em nada que me lembrasse um ovo. O nariz dele era um ovo. A cabeça dele era um ovo. Ele todo parecia um ovo!
Respirei fundo e tentei continuar a apresentação, mas o senhor Ovo não ajudou. Ele levantou para beber água varias vezes. Prossegui a palestra já com uma risada na cara, ninguém estava compreendendo – afinal eu era o respeitado Sr. Pereira, gerente há anos de uma imobiliária. Num paralelo à minha palestra fervilhavam tantas piadas de ovo, galinha, nariz, carecas, que quando aquele senhor levantou a mão para fazer uma pergunta eu desmoronei. Foi tão repentino que, além de ter falado:
– Pois não, Sr Cabeça de Ovo, alguma dúvida?
Interrompi a apresentação e desatinei a soltar todas as piadas que eu conhecia sobre careca, gordo, ovo, galinha, nariz. Não conseguia parar. Puxaram-me para um canto enquanto pediam desculpas ao distinto Sr Ovo que, muito ofendido, se retirou da sala.
Eu não estava mais em mim, fora quase 50 anos me reprimindo.
Fui atrás do sujeito ovo falando o restante de piadas que havia – e não eram poucas.
Meus colegas conseguiram me segurar a força e me levar para o carro, rumo a minha casa.
Não conseguia parar de rir, caçoava de todo mundo. Para cada colega havia muitas piadas acumuladas, guardadas e ridas sozinho, anos a fio. Falei todas!
Empurraram-me para fora do carro. Fui a pé pra casa.
Estava tão descontrolado que não perdoava ninguém, inclusive meus vizinhos.
Toquei a campainha, o Guimarães atendeu. Gordo, chato, petulante. Soltei o verbo, falei tudo que estava preso há anos, ironizei dos seus filhos até o cachorro. Piadizei tudo que ele merecia.
Cheguei em casa. Pelo visto meus colegas já haviam ligado para minha esposa.
- Benzinho, o que houve?
Nesse instante consegui ficar um pouco sério.
- Nada, minha querida. Não houve nada.
Passado uns instantes, desatinei a gargalhar da empregada.
Minha esposa, tadinha. Ela tentou ser paciente comigo, se esforçou ao máximo, eu sei. Não é culpa dela.
Hoje eu vivo sozinho. Desempregado. Ninguém agüentou minhas piadas.
Escrevo, às vezes, para alguns jornais. Colunas de humor.

Ps 1. O cabeça de ovo era o dono da imobiilária. Juro que não sabia.
Ps 2. Desde aquele dia, nunca mais comi ovo.
(texto retirado de Késia Câmara, ed. A vida é bela, Setembro 2008 - As crônicas da Késia)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Nota ao leitor

Caros leitores
A pedidos de alguns e ameaças de outros (alguns leitores querem tomar o poder no meu site), venho informar que sexta postarei um texto de humor.

A direção.

sábado, 6 de setembro de 2008

ESPELHO


ESPELHO



O amor é como um espelho, reflete várias faces.
O amor é gostoso. O amor é amargo.
O amor é amado. O amor é abandonado.
A imagem desse espelho é determinada pelo encontro dos raios refletidos e quando há esse encontro, ah meu amigo, é um amor amado, um real amor vivido.
É o reflexo de duas vidas vividas num só foco, com o mesmo centro.
Na imagem desse encontro são refletidos beijos roubados, sorvetes no parque, sorriso nos olhos, coração na boca, mão gelada e um indizível conforto da companhia amada.
Entretanto, nem todas imagens refletidas pelo espelho da vida são reais. Há raios que não se encontram, que não se tocam com a delicadeza do amor amado. Há raios que são de alguma forma prolongados, formando imagens virtuais. Amor sem toque, sem sorrisos e gracejos apaixonados.
Amor amado sozinho, amor abandonado onde os raios não se encontram.
São paralelos, que só se encontram no infinito.
Mas esse infinito nunca chega. E quem garante esse fim no infinito? Ninguém nunca esteve lá, oras!
Nesses amores onde o que era sorriso virou lágrima, deve afastar-se do foco até um ponto onde não haja nenhuma imagem refletida, para recomeçar do zero. Uma imagem límpida, cheia de reflexos reais, maiores, cheios de vida e emoções.
E aos apaixonados, mantenham o reflexo de suas almas unido. Um amor amado tendendo ao infinito e sem limites para a felicidade.

(texto retirado de Késia Câmara, ed. A vida é bela, Agosto 2008 - Crônicas e contos da Késia)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

CUPIDO – ÚLTIMAS NOTÍCIAS





CUPIDO – ÚLTIMAS NOTÍCIAS

O cupido das flechas tortas conseguiu, enfim, acertar um alvo. Acertou em cheio. Na mosca.
O alvo encontra-se totalmente rendido e, dessa vez, não houve nenhuma tentativa de fuga.

O outro cupido, que deixou a fecha se quebrar dentro do coração do alvo, já conseguiu remove-la, com muito esforço e ouvindo muito sermão do coração flechado.

O mesmo, no momento, encontra-se de licença. Quebrou a asa. Cupido desastrado.


Noticiário de Contos do coração – CUPIDOS (leia)

(texto retirado de Késia Câmara, ed. A vida é bela, Agosto 2008 - As crônicas da Késia)

sábado, 30 de agosto de 2008

AMIGOS E COLEGAS - CONSTRUÇOES E BURACOS


AMIGOS E COLEGAS - CONSTRUÇOES E BURACOS

Sou uma pessoa que se apega com muita facilidade. De poucos amigos e muitos colegas. Mas a vida passa, os amigos e colegas mudam, ou se mudam. Outra faculdade, outra cidade, outra igreja..
Essa semana que me peguei relembrando de alguns antigos colegas de escola, alguns mais que colegas, amigos mesmo. De repente puxei um nome lá no fundo do baú e, com um sorriso de curiosidade, digitei o nome no Google para ver o que achava. Fiquei surpresa, achei até o currículo da pessoa. Continuei “Googleando” para matar a curiosidade. Uma coleguinha da quinta serie havia se formado em medicina veterinária e esta namorando um cara bem mais velho.Ela esta muito feliz. Também fiquei feliz.
Nas correrias do dia-a-dia a gente acabada deixando de lado alguns antigos amigos que, por algum motivo, se distanciaram, deixando lacunas.
Hoje me dei conta que sinto falta de algumas velhas amizades, de alguns velhos amores.
Me dei conta também que, mesmo com o distanciamento, de repente a amizade pode voltar do lugar que ela parou, do último Tchau dado há anos ao primeiro Oi. Isso que é a amizade. Esse é o significado. Aconteceu isso, esses dias, em uma ligação inesperada de uma velha amiga. Por mais simples e cotidiana que seja, amizade é amizade.
Me surpreendi hoje ao ficar, ao mesmo tempo, muito triste e muito feliz. Um grande colega conseguiu se transferir para a faculdade que ele tanto queria. Muito figura esse sujeito. Fiquei imensamente feliz por ele, mas também triste. Como eu disse: me apego muito às pessoas.
Faz parte da vida. Faz parte da construção da pessoa. Cada amigo, cada colega contribui com sua participação. Acrescentam sorrisos, experiências, puxões de orelha, manias e suas gracinhas. Há alguns que não acrescentam em nada, mas sua simples companhia já basta. São os colegas. Todos são importantes
Mas digo, com um aperto no coração, aos meus amigos que foram e aos que estão indo: – Fica um buraquinho no peito cheio de saudade.
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ps. Eu sei, eu sei...isso não é uma crônica....é apenas um proseado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Contos do coração – CUPIDOS



Contos do coração – CUPIDOS



Dois cupidos se encontraram, o cupido da flecha torta e o cupido da flecha vazia.
- Companheiro, mas que situação a nossa, eu sem flecha e você com um monte sobrando, mas todas elas tortas!
-Pois é, complicado. Esses dias fui acertar meu alvo, dei aquela caprichada, aquela mirada certeira e... PAF!... Uma flecha caiu num cachorro e a outra caiu no meu pé
-E o que aconteceu?
- O pobre do cachorro fica lambendo meu pé até hoje. Ele não me larga.
- mas meu caro, você pelo menos pode atirar. Eu além de não poder atirar, meu alvo agora cismou de me ensinar a mirar melhor!
- Tsi tsi tsi
- No meu último tiro a flecha quebrou. Fui punido, ficou sabendo?
- É mesmo? O que houve?
- O alvo foi reclamar com meus superiores. Acusou-me de serviço mal feito e negligência ao tentar retirar a flecha quebrada.
- Logo você, tão experiente, sempre trabalhou tão bem com esse alvo. Nunca errou!
- Os jovens de hoje em dia não toleram muito erro. Fecha quebrada é uma dorzinha que passa, oras! Eu tentei explicar que isso acontece às vezes, que faz parte. Ele não quis me ouvir. Falou diretamente com o chefe.
- E qual foi a punição?
- Desempenar suas flechas.
(texto retirado de Késia Câmara, ed. A vida é bela, Agosto 2008 - As crônicas da Késia)